quarta-feira, 13 de julho de 2011

A Morte

De cada vez que a presenciam
Ficam apavorados,
Mostrando assim que a renunciam,
Pensam que podem fugir, coitados...


Cada vez que a ilustram
É sempre igual,
Umas vestes horrendas,
Como se ela nos fizesse mal.


Cada vez que se fala nela
Depressa termina a conversa,
Como se ao falar morressem mais depressa.


Felizardos daqueles que a acampanham,
Não têm de viver neste mundo
Onde a pobreza leva as pessoas ao fundo.



Para mim ela é linda,
Tem olhos verdes e cabelos loiros,
Que dançam com o vento,
Tem a cara rozada
E nunca a tem tapada.
Tem o corpo que Vénus desejaria
E pelo qual qualquer mulher matava,
Na sua mão, leva apenas um lindo ramo de flores,
Esperançosas e com onores,
por atribuirem aos mortos grandes valores.
A sua alma é como um rio,
Que no seu correr lento e tardio,
Leva bocados de tudo por onde passa
E dá-lhe uma noca graça.
Pois vejamos meus senhores,
Com alguém assim
Não há que temer,
Que sejamos nós os próximos a morrer.


Xico
11 de Julho de 2011

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